Entrevista com os criadores de Lila’s Tale


| Introdução

Lila’s Tale é um jogo de puzzle e aventura, desenvolvido pela empresa brasileira Skullfish Studios, situada em São Paulo. Este jogo é em VR(Realidade Virtual) e foi lançado na Oculus no dia 7 de junho de 2018. Os óculos compatíveis para jogar são: Gear VR e Go. Até hoje vem recebendo críticas muito positivas no site Oculus estando, no momento, com 4.3/5.0 de aprovação dos usuários.

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço a Gabriela Thobias por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Gabriela Thobias: Com certeza a mecânica. Um jogo pode ter a temática que for, mas se não funciona bem, se não tem uma jogabilidade boa, se é difícil entender o game design e etc, ele não vai ser jogado por ninguém. A temática é ótima para atrair o público, trabalhar bem na arte, nos gráficos, mas temática sozinha não sustenta um jogo.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram Lila’s Tales?

Gabriela Thobias: Em Lila’s Tale, jogos do Legend of Zelda, The Witness e Ori and the Blind Forest foram a principal inspiração de mood geral. Usamos também alguns jogos de realidade virtual para nos inspirar nas mecânicas, como o Along Together e Manifest 99. Para arte, nos inspiramos muito não em um jogo, mas mais em animações do estúdio Ghibli.

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo Lila’s Tales?

Gabriela Thobias: Tentamos sempre fazer jogos imersivos com uma qualidade gráfica bem alta e uma ótima composição e harmonia de cores.

 

Garota no Controle: Qual o tamanho da equipe de vocês?

Gabriela Thobias: Nossa equipe atualmente é composta por 10 pessoas.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Gabriela Thobias: No caso de Lila’s Tale, nossa principal dificuldade foi de entender melhor o mercado já que tínhamos iniciado a empresa a pouco tempo. Depois que entendemos melhor, pudemos entrar em contato com várias empresas, aumentar nosso network, fechar parcerias e enfim lançar o jogo na plataforma da Oculus Store.

 

 

Garota no Controle: Quanto tempo o jogo demorou para ser desenvolvido?

Gabriela Thobias: O Lila’s Tale levou cerca de 9 meses para ser finalizado e lançado.

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Gabriela Thobias: Sim, com certeza. No momento estamos trabalhando em 2 grandes projetos: Mayara & Annabelle: Idle Battles que é para mobile e também Toys ‘n’ Traps que será lançado para PC e Consoles.

 

Garota no Controle: É possível viver de jogos no Brasil?

Gabriela Thobias: É possível viver de jogos sim, desde que você entenda bem o mercado e também saiba gerenciar uma empresa, que são duas coisas que mais nos dedicamos a construir bem.

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Gabriela Thobias: Nosso maior aprendizado foi de descobrir o quanto uma mecânica bem trabalhada e intuitiva é importante. Quando estávamos na fase de testes do Lila’s Tale, pudemos perceber isso muito bem. O jogo é para realidade virtual e poucas pessoas conheciam na época, então toda a construção de início de jogo e ensinamento de como o ele funcionava foi muito importante para os jogadores iniciarem e não se perdessem.

 

Garota no Controle: A reação dos jogadores e da crítica foi como vocês esperavam?

Gabriela Thobias: Foi uma ótima reação sim, ficamos muito contentes com o feedback do público geral e também da crítica. Pudemos usar todos os feedbacks para nossos projetos seguintes e assim melhorar nosso trabalho. Consideramos muito importante esses feedbacks.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Gabriela Thobias: Como mulher que trabalha a mais de 8 anos na indústria de jogos e agora tenho minha própria empresa disso, devo dizer que o ambiente de trabalho com relação a mulheres já foi muito pior. Não está perfeito, mas muito melhor do que era antes. Já tive experiências ruins e sofri com alguns casos de misoginia, mas tanto eu quanto várias outras mulheres incríveis dessa indústria não desistimos e buscamos tornar o ambiente cada vez melhor para novas desenvolvedoras.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Gabriela Thobias: Gostaria que buscassem aprender rápido e falhar rápido. Falhar rápido é muito importante para você validar o seu jogo com seu público. Teste bastante, itere nele, mantenha ele simples e adquira muita experiência nesse processo. Quando se quer iniciar no desenvolvimento de jogos, esse é o melhor caminho, não adianta usar seu tempo para focar no próximo GTA. Mantenha simples e aprenda muito com isso.

Comentários