Entrevista com os criadores de Wind Peaks


| Introdução

Wind Peaks é um jogo de encontrar objetos escondidos nos cenários, desenvolvido pela empresa brasileira Actoon Studio. O jogo foi lançado dia 29 de julho de 2020 na Steam, e a aprovação dos usuários é muito boa alcançando 80%.

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço ao Felipe Jorge por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Felipe Jorge: Procurávamos uma mecânica simples, que não exige nenhum tipo de habilidade ou destreza dos jogadores, isso porque ele é um jogo casual e queríamos que fosse bem acessível, então chegamos no gameplay de procurar objetos.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram Wind Peaks?

Felipe Jorge: Foi através de pesquisa, buscando jogos que se enquadrassem em uma linguagem mais casual e relaxante, conhecemos o Hidden Folks com a ideia bacana e decidimos nos inspirar nas séries Gravity fall e Hilda surgindo o Wind Peaks.

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo Wind Peaks?

Felipe Jorge: Em Wind Peaks contamos uma pequena história a cada nível resolvido que deve ser interpretada pelo espectador, há elementos de quebra cabeça e um estilo gráfico único desenhado a mão rico em detalhes, tudo sem perder o aspecto fofinho.

 

Garota no Controle: Qual o tamanho da equipe de vocês?

Felipe Jorge: Sete pessoais participaram do desenvolvimento de Wind Peaks, hoje contamos com cinco pessoas e diversos freelancers que nos ajudam em nossos projetos.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Felipe Jorge: A principal dificuldade é o desenvolvimento e tudo o que o acompanha, como testes e retrabalho, Wind Peaks precisou de 3 grandes modificações para alcançar o resultado final, a equipe deve esta bem alinhada e otimista com o projeto.
Porém, o desenvolvimento é somente 50% de todo o projeto a publicação e lançamento deve ser realizada com estratégia.

 

Garota no Controle: Quanto tempo o jogo demorou para ser desenvolvido?

Felipe Jorge: Ao todo foram 4 meses de desenvolvimento e preparação para lançamento.

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Felipe Jorge: Sim, Wind Peaks é o começo de um longo roteiro de produção.

 

Garota no Controle: É possível viver de jogos no Brasil?

Felipe Jorge: Sim, desde que entenda que a produção de jogos se assemelha a uma indústria tradicional, é necessário um grande investimento inicial, muita aprendizagem e persistência os riscos que são altos.

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Felipe Jorge: Fazer um jogo envolve muito risco, principalmente se você pensa em desenvolver como principal trabalho; Mas é possível sim, primeiro você precisa aprender, é uma tarefa muito complexa, seja artístico, dev, designer ou até gerencia, você precisa conhecer pessoas que queiram trabalhar em sua equipe, participe de Game Jam , eventos, conheça quem faz isso em sua região.
Crie, crie e crie, não pare de fazer jogos, o exercício e persistência te leva a perfeição, e o mais importante, conheça seus limites, não faça um GTA, priorize projetos que você consiga terminar em menos tempo possível.

 

Garota no Controle: A reação dos jogadores e da crítica foi como vocês esperavam?

Felipe Jorge: Wind Peaks não foi nosso primeiro jogo, uma parte importante para qualquer criativo é saber lidar com as criticas que sempre existiram; Nós sabemos que não há como agradar a todos, mas Wind Peaks nos pegou de supressa, houve muita aceitação e elogios.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Felipe Jorge: As mulheres estão ganhando espaço no setor de desenvolvimento de jogos, em nossos primeiros passos em meados de 2010, eram raros exemplos da participação feminina, porém hoje ocorre um crescimento exponencial da presença da mulher enriquecendo as linhas de pensamentos e criatividades no setor. Nós da Actoon buscamos por sempre por talentos femininos, um exemplo, a arte de Wind Peaks foi dirigida por Nay nossa diretora de arte.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Felipe Jorge: Persistências e perseverança, tenha como foco ganhar experiência concluindo projetos, independente de seu tamanho.