Entrevista com os criadores de Cartomante


| Introdução

Cartomante é um jogo narrativo que está sendo desenvolvido pelo estúdio indie brasileiro Garoa Studios. O jogo foi lançado dia 1 de setembro na Steam. Até agora o jogo vem sendo muito bem avaliado com 96% de avaliações positivas.

Conheça um pouco sobre o projeto no gameplay abaixo:

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço a Carolina de Sá por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Carolina de Sá: Tivemos a ideia de temática e mecânica quase que simultaneamente. Queríamos produzir um jogo em que pudéssemos contar uma história de várias formas possíveis e havia um interesse por minha parte como artista em explorar a temática de uma Cartomante no imaginário popular carioca.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram Cartomante?

Carolina de Sá: As inspirações principais foram os jogos da Deconstructeam, como o Eternal Home Floristry, Dear Substance of Kin, Red Strings Club etc. São jogos experimentais de pequeno escopo com grande foco narrativo e vários finais.

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo Cartomante?

Carolina de Sá: Cartomante segue o estilo de Visual Novels tradicionais, com diálogos e interações com personagens, e se destaca pela abordagem temática e estilística – com arquétipos bem brasileiros –  que se representa na excentricidade dos clientes e nas leituras das cartas de Tarô. O jogo apresenta uma rejogabilidade altíssima, e uma atenção carinhosa com a arte e música.

 

Garota no Controle: Qual o tamanho da equipe de vocês?

Carolina de Sá: Somos um time de cinco pessoas, com um músico, um roteirista, dois programadores e eu como artista. Compartilhamos as tarefas de gestão e marketing, mas somos todos desenvolvedores.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Carolina de Sá: Estávamos trabalhando em outro projeto de maior porte (Astro Pig), e como ainda levaríamos um tempo para a conclusão, nos reunimos e decidimos que seria uma boa pedida desenvolver algo de escopo mais reduzido concomitantemente. Pegamos uma ideia que já estava cozinhando no grupo há um tempo, e gostamos bastante de onde chegamos. Decidimos dar uma atenção extra para levar à publicação, e o resultado é o que está hoje disponível na Steam.

Sobre a maior dificuldade: Definitivamente a escrita. Nos empolgamos querendo entregar a maior quantidade de conteúdo possível para o jogo (e de qualidade), e acabou se provando uma tarefa extensiva. Porém, ficamos felizes com o resultado alcançado!

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Carolina de Sá: Nós temos o Astro Pig, que é um jogo de plataforma de escopo maior que já está em desenvolvimento por um tempo, além de um novo projeto (secreto, não contem pra ninguém) com previsão de lançamento para o fim do ano.

 

Garota no Controle: Qual a reação da crítica em relação ao jogo de vocês? 

Carolina de Sá: O jogo atualmente está com avaliação positiva na Steam, e nós nos divertimos muito vendo a reação das pessoas com o jogo em live streams!

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Carolina de Sá: Pensar no escopo do seu projeto é algo crucial na produção, principalmente se você está começando e/ou possui uma equipe pequena. Além disso, a experiência de conclusão e lançamento de um jogo é muito engrandecedora no processo de se reconhecer como um profissional.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Carolina de Sá: Trabalho com jogos há dois anos e durante esse tempo presenciei algumas situações desconfortáveis, principalmente em eventos de desenvolvedores. Vejo que a grande maioria do mercado ainda é composta de homens, mas que, felizmente, esse cenário muda a cada dia que passa e há cada vez mais mulheres no mercado.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Carolina de Sá: O direcionamento principal para iniciar nessa caminhada, além de gostar de jogos, é ter agência e colocar a mão na massa. Se junte com pessoas que também querem produzir jogos, faça parte de uma comunidade, participe de game jams e adquira experiência e conhecimento neste processo.

 

Garota no Controle: Para vocês, é possível viver de jogos no Brasil?

Carolina de Sá: O mercado de jogos da América Latina (e do Brasil incluso) é o de maior crescimento do mundo. Nos últimos anos, a quantidade de empresas e estúdios cresceu vertiginosamente. É um campo com muito potencial, que ainda está incipiente, mas existem vários casos de sucesso que indicam que sim, é possível viver de jogos no Brasil. Continuem acompanhando o trabalho dos estúdios independentes brasileiros, porque esse apoio é fundamental!

 

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