Entrevista com o criador de O Horror Amarelo


| Introdução

O Horror Amarelo é um jogo de terror lovecraftiano, desenvolvido por uma única pessoa, o Omar Zaldivar. O jogo foi publicado no site Itch.io e você pode acessar a página do jogo para conhecer mais. Este jogo se encontra na fase demo e deve ser lançado no final de outubro.

Conheça um pouco sobre o projeto no vídeo abaixo:

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço à Omar Zaldivar por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Omar Zaldivar: Inicialmente a temática, sempre fui um apaixonado pelo universo em volta dos mitos lovecraftianos e sempre tive vontade de criar algo dentro dele, então antes de pensar em qualquer coisa técnica eu me debrucei bastante sobre a temática, estudando os contos e buscando os pontos de interesse os quais eu poderia trabalhar no game.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram O Horror Amarelo?

Omar Zaldivar: Existem vários jogos produzidos no RPG Maker que abordam as temáticas de terror, Ao Oni, The Witch´s House, Ib…  Estes e mais alguns foram fontes seguras de inspiração, mas não digo que são as principais. Os jogos que realmente me despertaram a vontade de criar algo dentro do universo do horror lovecraftiano foram sem dúvida Call of Cthulhu: The Video Game da Cyanide Studios e o Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth da Headfirst Production e que foi distribuído pela famosa Bethesda na época em que foi lançado. Não temos muitos títulos diretamente ligados aos mitos de Lovecraft, existem muitas inspirações, referências, mas jogos os quais você é colocado efetivamente dentro desse universo são poucos e a maioria são mais obscuros.

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo O Horror Amarelo?

Omar Zaldivar: Eu creio que o diferencial desse game seja justamente a temática. Como falei anteriormente, não temos muitos jogos que abordem de maneira tão direta os elementos que compõe a mitologia lovecraftiana, com suas criaturas e deuses.

 

Garota no Controle: Qual o tamanho da equipe de vocês?

Omar Zaldivar: A equipe que trabalha comigo é o gigantesco número de… 0 pessoas além de mim mesmo. Brincadeiras a parte, no momento sou apenas eu à frente do projeto.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Omar Zaldivar: O jogo ainda está em sua fase demo, atualmente com uma demo estendida lançada recentemente. A maior dificuldade que eu posso afirmar é o excesso de funções as quais eu realizo por estar sozinho. Um jogo precisa de muitas coisas para ser bom e divertido, e com uma equipe de habilidades diversificadas você consegue extrair o melhor de cada membro. Ao estar sozinho só posso contar comigo mesmo para me tirar dos apuros e enrascadas que vão aparecendo, o que é totalmente natural no processo de desenvolvimento.

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Omar Zaldivar: Se tudo der certo sim, existem planos para mais dois jogos dentro do universo dos Mitos de Cthulhu, sequencias do O Horror Amarelo.

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Omar Zaldivar: Vou ser bem sincero, vai dar bastante trabalho e em vários momentos você vai querer desistir, se estiver desenvolvendo sozinho, esses sentimentos se intensificam. Costumo dizer que existem dois momentos realmente bons e despreocupados quando se faz um jogo: a concepção do projeto, aonde as ideias vão brotando e você começa a se empolgar, e o final, onde você finalmente termina o projeto e o lança efetivamente. Todo o meio entre essas duas pontas será uma montanha-russa de emoções, boas e ruins ao mesmo tempo. Mas se você conseguir superar a tempestade e chegar ao fim, não terá sensação melhor no mundo do que ver teu jogo pronto e sendo jogado pelas pessoas.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Omar Zaldivar: Caramba, precisa de mais mulheres desenvolvendo. Existem um bom número hoje em dia, mas o mercado tem muito espaço e lugares a serem ocupados, e acho que quanto mais melhor. Mulheres tem formas de ver o mundo e de criar os mundos muito diferentes dos homens, acho isso maravilhoso. O mercado precisa de mulheres para trazer cada vez mais diversidade.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Omar Zaldivar: Não será fácil, o país não tem dá muito apoio, mas se é isso que você deseja fazer, vá e faça!

 

Garota no Controle: Para vocês, é possível viver de jogos no Brasil?

Omar Zaldivar: Não é impossível, mas não será fácil, muitas dificuldades para seguir esse grande sonho de muita gente. Muito suor, paciência e trabalho duro serão necessários.

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