Entrevista com os criadores do Dawn at my Neighbourhood


| Introdução

Dawn at my Neighbourhood é um remake espiritual de “Zombies ate my Neighbors”, clássico do super nintendo, então temos um jogo no estilo run and gun, em que você deve salvar seu bairro de um ataque de zumbis. O jogo ainda está em desenvolvimento pelo estúdio Anti-Gravity Bunny, e tem uma campanha de financiamento no catarse. Dê um apoio da comunidade para o seu progresso, apoiem essa ideia acessem o site e colaborem.

Conheça um pouco sobre o projeto no vídeo abaixo:

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço ao studio Anti-Gravity Bunny por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Anti-Gravity Bunny: Foi uma mistura dos dois. Eu, o desenvolvedor, estava estudando a criação de jogos 3D e, como seria o meu primeiro do tipo, achei mais interessante fazer um projeto baseado em um jogo que eu gostava. Zombies ate my Neighbors foi um dos meus favoritos e mais divertidos da minha infância, então foi fácil escolher a temática. Resolvi manter a jogabilidade do clássico, mas adaptada ao 3D. Conforme fui desenvolvendo a ideia e o projeto foi crescendo, vi também a necessidade de traduzir as mecânicas para as tendências mais atuais.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram Dawn at my Neighbourhood?

Anti-Gravity Bunny: Com certeza Zombies ate my Neighbors é a principal inspiração! Para complementar a experiência do gameplay, estamos também nos baseando em games de outros gêneros, como Hollow Knight (Metroidvania), Doom (Horror/Shooter), Fatal Frame (Survival Horror), além de elementos de RPGs e, claro, muita comédia! 😀

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo Dawn at my Neighbourhood?

Anti-Gravity Bunny: O game promete como diferencial a combinação ideal entre o “retrô” e a fluidez dos jogos atuais, acompanhada de uma grande variedade do gameplay. O fator da nostalgia também é um dos focos principais e, seguindo os passos do Zombies ate my Neighbors, estão planejadas diversas referências à cultura pop da nossa geração.

 

Garota no Controle: Você teve ajuda de freelancers? Ou comprou assets prontos? Ou toda a criação é sua?

Anti-Gravity Bunny: Eu comecei criando o jogo – e até o próprio estúdio – sozinho mesmo, trabalhando no meu tempo livre e sem muita pretensão de lançar algo tão grande. Mas, as pessoas foram vendo e gostando e então amigos meus acabaram entrando de cabeça comigo no projeto – por vezes acreditando nele mais do que eu mesmo, kkk! Sendo assim, a criação é toda do nosso estúdio.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Anti-Gravity Bunny: O maior desafio é conseguir fazer com que nosso game, nossa arte e visão, seja um produto que o público queira consumir. Iniciamos o desenvolvimento focando na jogabilidade e gráficos retrô, mas com a resposta do público sobre a demo, vimos a necessidade de adequar mais o game aos padrões atuais, por exemplo, com a melhoria dos gráficos; o que meio que vai contra nossa proposta inicial, mas devemos aprender a equilibrar os nossos ideais com as expectativas dos jogadores.

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Anti-Gravity Bunny: Esse é só o nosso primeiro grande trabalho, mas pretendemos lançar mais jogos, com toda certeza! É o nosso sonho! Já temos o projeto de uma versão mobile para Dawn at my Neighbourhood, outros projetos menores e até mesmo a ideia de um futuro MMO.

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Anti-Gravity Bunny: O desenvolvimento de um game indie não leva a nada sem o apoio e feedback da comunidade. É muito importante estar sempre atento às críticas, boas e ruins, e disposto a interagir e estar próximo dos jogadores. Como falei anteriormente, é preciso ir equilibrando a visão da equipe de desenvolvimento com as necessidades e desejos do público.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Anti-Gravity Bunny: Para mim, o gênero não faz diferença. O que importa é a competência, dedicação e criatividade das pessoas. – Silézio Batista, Desenvolvedor.

Sendo mulher, gamer desde a infância e tendo o sonho de trabalhar no desenvolvimento de jogos, a oportunidade de participar de Dawn at my Neighbourhood está sendo mágica! Sou desenhista e quero me tornar artista conceitual especializada em criação de personagens. O Desenvolvedor foi a primeira pessoa que investiu na minha arte de forma profissional, então está sendo uma jornada muito gratificante. Concordo com ele em relação ao gênero não importar, apesar disso, percebo que de fato faltam mulheres na área e gostaria que houvesse mais. – Scarlet Hezel, Designer assistente.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Anti-Gravity Bunny: Graças às novas tecnologias e ferramentas, o desenvolvimento de games vem sendo algo cada vez mais simples e acessível a todos, possibilitando até mesmo a uma única pessoa a criação de um grande projeto. Se você ama games e também compartilha dessa vontade, não perca mais tempo! Nosso país ainda está nas fases iniciais e vários obstáculos podem atrapalhar, mas é hora de juntarmos a party e concluirmos essa quest de mudar o cenário brasileiro!

 

Garota no Controle: Para vocês, é possível viver de jogos no Brasil?

Anti-Gravity Bunny: Infelizmente, ainda não. O Brasil tem muito o que crescer quando se fala de mercado de games, mais ainda em questão de desenvolvimento. Nossa sociedade, no geral, precisa acreditar mais no potencial dos jogos e, principalmente, reconhecer mais os desenvolvedores nacionais.

A maioria dos estúdios brasileiros ainda precisa se concentrar no mercado externo para conseguir se manter na competição, além de termos pouquíssimo incentivo para tal. Mas, somos nós que fazemos o nosso futuro!
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