Análise de Ghostrunner

 

| Introdução

Desenvolvido em conjunto pelos estúdios One More Level, 3D Realms e Slipgate Ironworks, Ghostrunner foi lançado dia 27 de outubro deste ano pelas distribuidoras 505 Games e All In! Games. Ghostrunner entrega uma experiência única em primeira pessoa, com um combate frenético e preciso, unido a elementos de parkour; porém, peca no desempenho.

 

| História

A história começa com uma espécie de ciborgue despertando e se ajustando aos movimentos do corpo, para logo em seguida ser enviado para o “olho do furacão” por uma voz misteriosa. Ao decorrer da história, descobrimos que essa voz pertence ao Arquiteto, o criador da Torre de Dharma, universo em que se desenrola a trama. Também descobrimos na introdução quem é o protagonista e qual o seu objetivo.

O despertar do Ghostrunner
O despertar do Ghostrunner

O protagonista é um ghostrunner, um corredor fantasma, justiceiro, defensor da paz, parte da antiga legião de ghostrunners que protegiam a Torre e a Cidade de Dharma e sua população em conjunto com o Arquiteto, também chamado de Adam, e Mara, a atual Mestre das Chaves e a tirana a qual o nosso protagonista deve derrubar.

Mara em um poster pela cidade
Mara em um poster pela cidade

A ideia central do jogo é ascender a Torre, derrotando inimigos e superando obstáculos. Vale ressaltar que a “lore” é centrada na temática cyberpunk, então é comum encontrarmos elementos distópicos na narrativa e na construção dos cenários, bem como também nos inimigos, que apresentam várias modificações corporais letais ao nosso personagem.

 

| Jogabilidade

A jogabilidade apresenta um mix de elementos que já experienciamos em outros títulos como Mirror’s Edge, Katana Zero e até mesmo Overwatch, afinal de contas, é possível se sentir como o Genji ao cortar inimigos ao meio com a sua katana modificada, ou até mesmo como um “jedi” ao refletir balas e rebatê-las de volta para o inimigo.

Você é um ghostrunner, um corredor fantasma, ênfase em CORREDOR e FANTASMA. Você deve ser rápido e preciso para atravessar o cenário e abater as suas presas. Um segundo de atraso pode custar a sua vida. Uma mínima desorientação espacial pode te custar a travessia. Mas não se preocupe, caro leitor, pois Ghostrunner não é um roguelike e apresenta vários checkpoints ao longo dos níveis. Vale ressaltar que os tempos de loading entre as mortes é praticamente instantâneo, assim como em Celeste, por exemplo.

A jogabilidade gira em torno do parkour e do combate com a espada. Conforme o jogador avança na história é possível desbloquear novas habilidades de travessia, de combate e até mesmo cosméticos novos para aplicar na espada. Dentre as habilidades encontramos dashes de 1 hit-kill ao estilo do Genji, ondas de poder disparadas pela espada, golpes de ar pressurizado, e até mesmo o poder de hackear inimigos e jogá-los uns contra os outros. Conforme novas habilidades são desbloqueadas, também é possível adicionar upgrades para elas em uma espécie de placa mãe no sistema do protagonista, regada a um estilo Tetris de encaixe.

Sistema de upgrade no estilo Tetris
Sistema de upgrade no estilo Tetris

Outro ponto de destaque é a dificuldade, que avança e um crescendo. Conforme o jogador desbloqueia novas habilidades e poderes, os níveis e inimigos se comportam a altura, exigindo cada vez mais e mais do jogador. O level design é muito bem feito e permite múltiplas abordagens para atingir o seu objetivo. Algo bem interessante é que a dificuldade aumenta tanto do meio para o final do jogo, que ao recomeçar o jogo em seus níveis iniciais, passei dos desafios com muito mais maestria dos movimentos e habilidades. É como se o jogo estivesse sempre treinando o jogador e o estimulando a ultrapassar seus limites.

O principal ponto negativo da jogabilidade é a abordagem em primeira pessoa e o ritmo/velocidade em que a personagem principal se desloca e entra em combate. Por vezes é possível se sentir levemente tonto com a velocidade da câmera e com a quantidade de mudanças de perspectivas que precisamos fazer em uma única travessia. Para alguns, isso pode ser um grande empecilho.

 

| Desempenho

Não costumo comentar sobre o desempenho dos jogos em uma review, mas nesse caso se faz necessário, uma vez que as quedas monstruosas de FPS em algumas fases mais para o final do jogo, transformaram a experiência e a jogabilidade em um filme de terror.

Em geral, as quedas de frame rate não me incomodam ou afetam minhas experiências com jogos, mas em Ghostrunner, a velocidade e a precisão são extremamente necessárias, e com FPS abaixo de 30, e ouso dizer abaixo de 10, tornam o combate em um jogo de azar, e que o ritmo das suas mãos e comandos não acompanha o que é visto na tela. O episódio relatado ocorreu em um único nível do jogo, mais para o final, logo não é algo que vá comprometer o todo.

Vale ressaltar que o jogo foi testado e zerado em um PS4 slim, logo essa observação vale para essa versão do console. Alguns usuários do Twitter me relataram que a mesma versão do jogo, rodando em um PS4 Pro, não apresentou tal problema. Ainda em relação ao desempenho, encontrei alguns problemas relacionados a crashes. No meio de uma missão, o aplicativo simplesmente decide parar de funcionar, e lá vou eu, reiniciar a missão. Com as últimas atualizações disponibilizadas pelos desenvolvedores, esse problema foi praticamente sanado. Desde então apenas encontrei um único crash.

 

| Arte

A arte de Ghostrunner é belíssima, refletindo todo o esplendor de um universo cyberpunk. Os níveis são minados de letreiros em neon, espaços cibernéticos digitais, e vários ambientes em que são visíveis os efeitos da pobreza, miséria e de uma rebelião, típico de um ambiente distópico. A iluminação mais escura, faz as cores e os neons saltarem aos olhos.

Qualquer nova cor apresentada é um espetáculo visual. Até a cor da Katana se destaca no ambiente. Como fã do universo de Tron, me senti instantaneamente transportada para uma versão moderna dele. Os níveis englobam ambientes de comércio, construção, produção, pesquisa e desenvolvimento e até mesmo os sistemas de ventilação. Cada ambiente iluminado e colorido de acordo.

 

| Trilha Sonora

A trilha sonora, fazendo jus à temática cyberpunk, é repleta de músicas eletrônicas intensas que refletem os desafios encontrados pelo protagonista, a intensidade do combate e a velocidade geral do jogo. As músicas são agradáveis e nem um pouco monótonas, contribuindo para uma maior imersão do jogador em seu universo.

 

| Inovação

O que faz Ghostrunner único é justamente em acertar onde outras franquias com uma abordagem parecida erraram. Ao unir o parkour de Mirror’s Edge com um combate parecido com o de Katana Zero (um jogo 2D), Ghostrunner se destaca pelo combate e movimentação fluida, tudo unido pela temática cyberpunk e distópica, que casou muito bem com a jogabilidade e o que se esperaria em termos de imersão nesse universo.

Resumindo
  • Jogabilidade
  • Trilha Sonora
  • Arte
  • Inovação
  • História
  • Desempenho
4.5

Conclusão

Ghostrunner é um jogo frenético de ação, com combate e movimentação fluida que remete a mecânicas já empregadas no passado, mas com maior polimento. O jogo se destaca pela ambientação cyberpunk, com arte que salta aos olhos e com uma trilha sonora impactante e animada para acompanhar. O jogo deixa desejar no desempenho no PS4 padrão e pode não ser um título para todos os públicos em função da câmera em primeira pessoa e velocidade/ritmo da jogabilidade. Fiquem ligados no site para mais análises como essa.

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