Análise de Vigil: The Longest Night

| Introdução

Vigil: The Longest Night, lançado no dia 14 de outubro para PC e Switch, é um sidescroller 2D que mistura RPG de ação com Metroidvania, ambientado em um mundo que se inspira pesadamente em Bloodborne, e gameplay inspirado em Castlevania. Com essa combinação, espere encontrar nesse mundo criaturas bizarras, monstros grotescos, obstáculo que precisam de habilidades específicas para serem conquistados, uma arte gótica e diferentes tipos de pesadelo.
Monstro
Monstro

 

| História

A história se passa em um mundo que explica muito bem o subtítulo do game, pois, é um mundo com uma noite eterna, que nunca viu a luz do Sol, cuja existência é descrita em lendas e tratada como um dogma religioso, que diz que um dia os deuses trarão o dia de volta, e expulsarão todos os monstros da Terra. Monstros esses que enchem todas as estradas e locais que você explorará nesse jogo, e variam de animais agressivos, como lobos e morcegos, passando pelos mortos-vivos, até demônios vindos dos piores pesadelos. É um mundo sombrio e sem esperança. Controlamos uma jovem chamada Leila, que está retornando para sua cidade natal, após anos de treinamento com os Vigilantes, um grupo de guerreiros treinados especialmente para caçar monstros. Chegando na cidade, ela se encontra com um homem misterioso que dá a ela a tarefa de encontrar e encerrar o ritual, sem explicar o que é esse ritual, nem onde ele se encontra. Então é seu trabalho resolver esse mistério, que irá levar Leila à beira da insanidade, visitar a dimensão do pesadelo e ver coisas que traumatizariam qualquer um com um coração mais fraco.

Além da história principal, existem diversas side quests para se fazer e ajudar as pessoas que você encontra no caminho, tanto na cidade quanto fora dela. Algumas delas têm um arco próprio, com uma história à parte. Então a maioria vale à pena ser feita para aprofundar mais nesse mundo.

Cidade
Cidade

 

| Combate

O combate de Vigil mistura Castlevania com Bloodborne, sendo um game side scroller com um combate baseado em gerenciamento de Stamina. Assim como os games Soulsborne, atacar e esquivar consomem Stamina, que se regenera rapidamente quando você para de atacar. Um diferencial aqui, é que você pode gastar mais Stamina do que o seu total. Quando a barra zera, ela começa a se encher novamente, porém de outra cor, e se ela for preenchida completamente a personagem entra em um estado de fadiga e passa alguns segundos sem conseguir fazer nada.Para o combate, temos 3 tipos de armas de curto alcance, como espadas, lanças e adagas, e um arco para longo alcance. Cada arma tem um combo e ataque especial diferente, e podemos trocar entre elas livremente durante as batalhas, podendo criar ainda mais combinações de ataques. Durante o jogo, você encontrará novas armas com diferentes status, e pode combinar como quiser na janela de equipamentos.

Seguindo a inspiração de Bloodborne, é importante notar que cada monstro que encontramos tem um comportamento diferente de batalha, e pode ter mais do que um golpe a ser usado. Por exemplo, existe um monstro que é uma espécie de Ghoul, que corre em sua direção para atacar, porém, ele pode seguir em frente brandindo adagas, ou ele pode resolver pular e te golpear de cima. E se inspirando novamente em Bloodborne, até os monstros de áreas iniciais conseguem dar dano considerável, então é importante estar atento e não relaxar contra nenhum monstro.

Batalha
Batalha

 

| Evolução de Personagem

Sendo um RPG, a personagem irá ganhar levels regularmente conforme derrota monstros e cumpre missões. Mas Vigil faz as coisas um pouco diferente do normal. O level do personagem não aumenta sua força puramente em números, pois muito da evolução e fortalecimento dela está atrelada em liberar novas habilidades. Isto é, ao ganhar um nível, você não estará ganhando +10 de força, mas irá ganhar um ponto para liberar um combo aéreo, deixando mais fácil de enfrentar monstros voadores. É uma forma interessante de evolução, que impede que o jogador fique super poderoso, ou se veja obrigado a entrar no tedioso “Grind” para obter os números mínimos para conseguir enfrentar alguma criatura mais forte.Mas também é possível aumentar os números da personagem, através de equipamentos diferentes e upgrades. No ferreiro, é possível usar minérios para fazer upgrades nas armas e armaduras, que aumentarão todos os status desses equipamentos. Também é possível usar minérios especiais para adicionar algum efeito adicional, como recuperação de vida ou resistência a algum elemento. Os minérios para upgrades, pelo menos para os primeiros níveis, são fáceis de encontrar, então não é preciso ter medo de usá-los e acabar ficando sem para alguma arma nova.

Temos 5 árvores de habilidades no total, 1 para cada arma de curto alcance, uma para o arco, e uma para habilidades passivas. O ritmo com que você pega level é bem rápido, então você estará constantemente liberando novas habilidades. É bastante viciante evoluir o personagem e descobrir esses novos golpes, que geralmente adicionam mais uma peça à sua estratégia, e te incentiva a usá-las constantemente.

Explorando o mundo, também receberemos novas habilidades que não são liberadas com levels. Essas habilidades se relacionam à exploração dos mapas, que se dá de forma bem Metroidvania, em que você encontrará diversos obstáculos que te impedem de seguir por algum caminho específico, enquanto não encontrar a chave para superá-la, seja o salto duplo, ou o poder de destruir paredes de pedra. Então há todo um incentivo de revisitar áreas para encontrar esses caminhos secretos, que sempre terão algum prêmio te aguardando no final.

 

| Arte e Música

A arte desse game é linda, que, segundo os desenvolvedores, é inspirada em uma técnica de Corte de papel Chinês. Ela faz uma combinação de 3D com 2D que fica muito bom. A personagem principal é um modelo 3D, assim como alguns monstros, enquanto os cenários e NPCs são 2D. O design dos monstros é bastante criativo e detalhado, tendo uma boa variedade. Os Bosses são ainda melhores, sendo criaturas colossais que enchem a tela, e cujo design causa pânico no primeiro encontro, pois você não sabe de onde pode vir o ataque. Seria dos braços enormes cobertos de sangue? Dos tentáculos chacoalhando ameaçadoramente? Ou da estranha boca na barriga, que pode acabar atirando algum projétil?Sendo um mundo Lovecraftiano, a cidade é uma combinação de construções medievais e góticas, com grandes Igrejas, cemitérios e campos para explorar. E, lógico, encontraremos locais tomados pelos pesadelo e insanidade, com o cenário ficando cada vez mais distorcido e Dark. Algo que chama atenção na arte, é o inteligente uso da iluminação e efeitos de câmera. As cores das luzes que iluminam os cenários, e o motion blur bem aplicado, realmente realçam a beleza dos traços desse mundo.

Completando a ambientação, a música consegue receber um grande destaque, e novamente mostra as inspirações em Bloodborne e Castlevania. Cada região tem seu tema, que vai desde uma combinação soturna entre piano e violoncelo para a cidade principal, que lembra o tema do Hunter’s Dream de Bloodborne, até um Metal mais animado, que estaria perfeito para tocar em Symphony Of The Night.

 

Arte
Arte
Resumindo
  • Arte
  • Música
  • Gameplay
  • Inovação
4.6

Conclusão

Vigil: the Longest Night consegue construir um ótimo game do estilo Metroidvania, que se inspira Bloodborne, tanto na ambientação quanto no combate. Suas árvores de habilidades são divertidas de se explorar, e o ritmo com que a personagem ganha níveis faz com que você esteja sempre melhorando. A trilha sonora é daquelas que é fácil de se ouvir separada quando não estamos jogando.

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