Entrevista com os criadores de Lunar Axe


| Introdução

Lunar Axe é um point-click criado pela empresa brasileira Ops Game Studio. Será lançado na Steam, ainda sem data definida, e se puderem adicionar o jogo na lista de desejo do site, isso ajudaria bastante. Mesmo ainda não sendo lançado, já está concorrendo a premiações, o que mostra sua qualidade:

premios - Entrevista com os criadores de Lunar Axe

Conheça um pouco sobre o projeto no vídeo abaixo:

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço ao Kássio Sousa por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Kássio Sousa: Bom, no Lunar Axe veio primeiro a história. Nós queríamos contar de uma forma diferente e atraente as lendas e histórias sobre nossa cidade natal, que normalmente são retratadas em livros de história. Com a temática definida, partimos para a pesquisa até chegar na definição da mecânica e estilo de jogo.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram Lunar Axe?

Kássio Sousa: Sem dúvidas o fato de todo o time ter jogado e gostado de Machinarium foi crucial, porém, o jogo que mais nos inspirou é outro brasileiro que conta uma lenda regional do Piauí chamado “The Last Nightmary”. Vimos que era possível contar uma história regional com uma abordagem interessante e levar nossa história a alcançar o mundo inteiro, objetivo principal do nosso projeto.

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo Lunar Axe?

Kássio Sousa: Primeiro diferencial é que todos os locais do jogo são locais reais do rico centro histórico de São Luís-MA, tanto casarões antigos, igrejas seculares e edifícios coloniais. Esse é um trabalho bastante difícil, fizemos pesquisas em museus e tiramos fotos em vários lugares, mas assumimos que esse grande esforço fará nosso jogo ser o que almejamos.

Outro ponto diferencial é a atmosfera, prezamos por criar um ambiente imersivo com características da nossa região, tanto arte quanto a trilha sonora que utiliza elementos musicais únicos da nossa região como o bumba-meu-boi, tambor onça e outros elementos presentes na nossa cultura, visando criar uma atmosfera única e envolvente.

No enredo, utilizamos histórias da fundação da cidade e lendas presentes há séculos por aqui, dando uma abordagem diferente pois algumas são pouco conhecidas.

 

Garota no Controle: Qual o tamanho da equipe de vocês?

Kássio Sousa: Nosso time é formado por 6 pessoas. A maior parte da equipe é formada por artistas por conta do estilo do jogo.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Kássio Sousa: No desenvolvimento, a principal dificuldade é alinhar todos os elementos do nosso projeto, unindo enredo, arte e trilha para criar a atmosfera única que queremos. Felizmente temos um time que consegue executar todas as funções, pois existem projetos que acaba sobrecarregando o time e isso dificulta na produção.

Na parte de publicação, estamos com a Demo na Steam e isso foi um marco para nós, nosso primeiro jogo na plataforma. Foi difícil conseguir ultrapassar essa barreira e agora buscamos trabalhar forte pra lançar a versão completa no nosso planejamento, primeiro semestre de 2021.

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Kássio Sousa: Sim! Nosso estúdio atua com jogos para o mercado, mas sempre trabalhamos em projetos autorais. Após o Lunar Axe a ideia é manter a produção de jogos do mesmo gênero e quem sabe, explorar mais a história nesse mesmo universo criado.

Além disso, recentemente lançamos um jogo mobile que simula a gestão de um estúdio jogos chamado Super Dev: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.opsgamestudio.superdev
Uma forma de botar muitas das dificuldades, situações cotidianas e dificuldades citadas aqui dentro de um jogo.

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Kássio Sousa: Sempre pense que vai dar mais trabalho do que você imagina e entenda que haverão altos e baixos. Equilíbrio entre o que você quer fazer e o que seu time pode fazer é essencial!

As vezes temos o olhar sobre o projeto apenas como produto, esquecemos que todos do time são diferentes e isso é incrível! Pontos de vista e experiências diferentes tornam o jogo melhor e mais amplo, mas tome cuidado com prazos e qualidade, evite tornar o projeto uma bola de neve. Para evitar esse problema, tenha sempre marcos, datas de entrega ou versões, isso ajuda seu time a manter o foco.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Kássio Sousa: Apesar da maioria no Brasil ser de jogadoras, no mercado de desenvolvimento elas ainda tem dificuldades para ingressar e ter oportunidades, precisamos mudar isso com ações no dia a dia.

Os jogos são multidisciplinares e quanto mais diversidade na produção, mais os jogos vão representar o que o público espera e deseja. Fico muito feliz em ver que as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço, principalmente com ações como a Womam Game Jam (https://womengamejam.org/), evento que incentiva mulheres cis, trans e pessoas não-binárias a ingressar no mercado de desenvolvimento de jogos. Ações como essa são muito importantes para incentivar e mostrar todo o potencial de profissionais incríveis que possam estar fora do mercado.

Acredito que o mercado de jogos precisa melhorar bastante nesse tópico, mas já vejo mulheres em posição de destaque na indústria, o que é essencial para criar referências e incentivar cada vez no crescimento da participação feminina na nossa indústria.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Kássio Sousa: Pense sempre a longo prazo. Se você ama fazer jogos, não desista. Apesar das dificuldades é o que amamos fazer. As vezes essa paixão pode complicar o desenvolvedor que não consegue ter uma visão mais crítica e profissional, mas as vezes é necessário pensar mais como negócio do que paixão, sabendo dosar isso, é possível crescer de forma sustentável e seu projeto incrível não ser o último.

 

Garota no Controle: Para vocês, é possível viver de jogos no Brasil?

Kássio Sousa: Sim! É um caminho bem árduo, saiba disso desde já! Não há um atalho e você precisa trabalhar muito, sofrer muito, aprender muito e claro, se divertir no processo. Com planejamento e dando passos pequenos e seguros, dá para crescer ao longo do caminho e conseguir alcançar seus objetivos.

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