Análise de Oceanhorn 2


| Introdução

Oceanhorn 2 é um jogo de aventura e puzzles, desenvolvido pela Cornfox & Bros. O seu lançamento ocorreu em setembro de 2019, para iOS, e ele se encontra disponível na Apple Arcade. Está analise se focará na versão lançada para o Nintendo Switch, no dia 28 de outubro de 2020. É relevante afirmar isso porque o jogo tem alguns pontos que são problemáticos, justamente por ter sua origem no celular, onde existe uma limitação maior de comandos/controles, e isso afetou a versão de Switch.

O primeiro título da franquia saiu para as plataformas: PCs, Playstation 4, Xbox One, iOS e Nintendo Switch. Os eventos do segundo jogo se passam antes do primeiro, e acontece em Gaia. O mundo aqui criado é uma mistura de tecnologia com elementos mágicos, que caem bem, mas não tem nada muito cativante.

Gen, Hero e Trin
Gen, Hero e Trin


| Personagens

O personagem que controlamos se chama Hero. No início do jogo o vemos ainda bebê sendo entregue para o Mestre Mayfair pelo demônio Mesmeroth. Quando adulto, Hero passa por diversos treinamentos, recebe como nossa primeira missão recuperar um cofre para enfim se tornar um cavaleiro. No decorrer da história, somos apresentados a mais dois personagens importantes para a história e o gameplay, Gen o robô e Trin a neta do líder de Arcania. Nessa aventura, com os três personagens, buscaremos os três emblemas sagrados: Sol, Terra e Oceano. Estes serão essenciais para conseguir salvar o reino em que vivem.

Gen e Trin vão lutar conosco e ajudarão a derrotar os inimigos. Eles realmente tiram vida dos monstros e funcionam como se fossem outro jogador. Eles também são essenciais para resolver alguns puzzles, como acertar uma alavanca distante ou apertar um botão. Essa ideia de ter outros personagens com você no andamento da jornada ficou relativamente legal, não fossem algumas decisões questionáveis de game design.

Essa decisão questionável é referente aos personagens auxiliares perderem uma quantidade de vida quando levam dano, e eventualmente acabam morrendo. E quando morrem é que temos o problema, pois isso não tem uma consequência, eles apenas reaparecerem naturalmente ao seu lado algum tempo depois, então não sei se faz sentido existir uma barra de vida, existir dano, se isso não tem um ponto negativo, ou qualquer consequência, apenas é inconveniente.

Outro ponto que acredito ser problemático, é que em várias situações o Hero não precisa lutar, nem se esforçar, já que os outros personagens matam os inimigos sozinhos. Então, os itens dropados dos inimigos vão existir mesmo sem uma ação do seu personagem, você acaba perdendo o incentivo de realizar ataques. Porque eu arriscaria perder vida? A recompensa vem de qualquer forma. Deixa os ajudantes se arriscarem em meu lugar.


| As armas

Em Oceanhorn 2, temos a nossa disposição uma pistola, uma espada e um item escolhido por nós, sendo que durante o jogo é possível trocar a espada por alguma arma que o inimigo deixou cair, de forma temporária. A pistola é muito interessante no jogo, uma vez que você pode utilizar munição com diferentes elementos: gelo, fogo, elétrico, outros. Esses elementos dão variados efeitos nos inimigos e ajudam resolver puzzles de modo criativo. É possível também aumentar a quantidade de balas da arma quando a evoluímos.

O item escolhido por nós pode variar de escudo, bomba, gancho, outros, ou seja, aqui alteramos dependendo da situação. Em lutas usamos mais os escudos, em lugares com obstáculos as bombas e o gancho para locomoção no cenário e alcançar locais antes inacessíveis. Essas variações são bem bacanas, por proporcionar estilos de jogabilidades diferente.

Tipos de bala da pistola e habilidades escolhidas
Tipos de bala da pistola e habilidades escolhidas

 

| Controles

Acredito que essa é a parte que mais vai desmotivar as pessoas a jogarem Oceanhorn 2. Para começar, o controle de pular, uma funcionalidade simples e quase onipresente nos jogos, não existe. O pular acontece de forma automática quando nos aproximamos de beiradas, a consequência disso são muitos pulos que você não esperava realiza, ou pulos que você esperava e não acontecem. É difícil ter certeza se Hero vai conseguir subir em algum lugar, muitas vezes você aproxima e fica aguardando. A sensação é de falta de controle do personagem, em situações que você está no alto, um salto sem querer pode acontecer e você vai passar raiva.

Como temos o pulo impreciso e automático, você pode ter várias situações de cair na água, e muitas vezes você vai morrer afogado porque não existe uma forma de sair, deixando a sensação de um design mal feito.

Alguns bugs também aconteceram durante o gameplay que devem ser corrigidos, entretanto, as situações que citei acima dificilmente vão mudar, porque o jogo veio para funcionar igual em um celular, mas para quem não está acostumado com ideias como pular sozinho, vai sentir bastante o gameplay deste jogo.

 

| UI

A interface do jogo é cheia de informações, o que polui demais, mas é pior que isso, porque muitas vezes não consegue refletir para o jogador a utilidade da informação. Vou citar dois exemplos, na aba missão, existe uma lista com todos os diálogos do jogo, mas qual seria a necessidade disso? Outro exemplo, na tela principal normalmente é esperado uma barrinha de progresso de experiência, mas o que temos é um número que não reflete nada, você falar que tem 1400 de experiência, quanto falta para eu evoluir? Esse valor representa muito ou pouco? É muita informação que não diz nada. Esses são apenas dois dos vários problemas de interface.

 

| Arte e Trilha Sonora

A arte de Oceanhorn 2 é muito diferente do primeiro jogo, no qual se focava em um 2D. Ela lembra o bastante gráfico de Zelda Breath of The Wild, um cel shading que encanta e atrai facilmente o público. Os diversos cenários e personagens também merecem elogios pelos detalhes. A trilha sonora, acredito que não tem grande diferencial e acaba sendo apenas funcional, e esquecível após o final do jogo.

 

| Fator diversão

Não se engane, apesar dos problemas citados, o jogo consegue divertir. Os quebra-cabeças empolgam e geram curiosidades, muitas vezes não são tão óbvios e o fato do ambiente não ser tão fechado como uma ‘shrine’, que é relativamente menor, acaba desafiando mais. Várias vezes precisei procurar onde encontrar determinado item para resolver o problema, ou que elemento da arma deveria ser usado agora, ou será que eu deveria me locomover de outra forma para alcançar uma região diferente, por isso não acho nada nessa região?

É bonito e divertido
É bonito e divertido

Os personagens muitas vezes também conseguem nos passar algumas lições durante o jogo, que chegam a nos fazer refletir e pensar sobre a vida, por exemplo quando a Trin diz em uma cutscene:

“Às vezes eu olho para as estrelas e penso no quão pequenos são os meus problemas aos olhos do universo. Nosso planeta pode ser apenas mais um nesse mar de estrelas. Mas este planeta e seus habitantes são um milagre.”

| Fator Zelda

Sim, o jogo é recomendado para quem gosta dos puzzles de Zelda, mas cuidado que cada jogo tem seu estilo e sua identidade única. Se você for jogar Oceanhorn 2 esperando que seja igual Zelda, pode se decepcionar. Mas se for de mente aberta, pensando que é um jogo de aventura com puzzles assim como Zelda, você vai se divertir muito mais.

Resumindo
  • Jogabilidade
  • Arte
  • Trilha Sonora
  • Inovação
3.6

Conclusão

Oceanhorn 2 inova  no quesito arte em relação ao seu antecessor,  é um bom jogo de aventura com puzzles, todavia os problemas de jogabilidade que aparentam vir dos controles mobile incomodam.

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