Análise de XIII(Remake)

 

| Introdução

Thirteen ou XIII como é estilizado, é um jogo de ação e tiro em primeira pessoa, desenvolvido pela PlayMagic Ltd. e publicado pela Microids, previsto para ser lançado dia 10 de novembro deste ano para computadores, Playstation 4 e Xbox One. O jogo também tem previsão de lançamento para Nintendo Switch em 2021. XIII trata-se de um remake do jogo original lançado em 2003, desenvolvido e publicado pela Ubisoft na época. Apesar de levar o “remake” no nome, o jogo é um belo exemplo de desserviço com essa categoria e também com as possibilidades apresentadas pela atual geração de consoles.

 

| História

A história segue o roteiro de um filme de ação e agentes secretos “a lá 007”. O jogador controla XIII, um homem encontrado baleado em uma praia que está sofrendo de amnésia. Ele é resgatado por uma salva-vidas, porém tudo dá errado quando aparentemente as pessoas de quem ele estava fugindo o encontram e matam a mulher que o resgatou.

A partir daí o jogador acompanha XIII ao longo de várias localizações ao redor do globo de modo a reencontrar sua identidade perdida e também o mistério por trás do assassinato do presidente dos Estados Unidos, William Sheridan. A história em si não é o ponto forte do jogo, dando lugar para que os elementos de jogabilidade brilhem, mas infelizmente não é o que acontece.

 

| Jogabilidade e Desempenho

A jogabilidade e o desempenho do jogo são um perfeito desastre. A ideia era colocar o jogador nos sapatos de um agente treinado no uso de armas de fogo e de arremesso, como facas. Porém, o que encontrei ao jogar o título foram quedas de framerate bruscas que me impediam de mirar com precisão e me tiravam o controle da câmera, o que muitas vezes me custava o nível.

Para um jogo em primeira pessoa, a performance é essencial para que o jogador tenha maior precisão e consiga utilizar as habilidades e armas ao máximo de suas possibilidades, como é o caso de Doom Eternal, por exemplo. Além dos problemas de performance, encontrei vários problemas associados ao comportamento dos inimigos e da minha aliada. Se você espera um companheirismo estilo Ellie de The Last of Us, esqueça.

Os inimigos muitas vezes pareciam desorientados procurando pelo personagem principal. Às vezes eu me aproximava bem deles e ainda assim eles não me atacavam. A personagem aliada que me acompanhava nas missões tem suas ações resumidas a se esconder com uma arma na mão e não fazer absolutamente nada, deixando tudo nas mãos de XIII, o que pode ser maçante pelo número elevado de inimigos.

Abaixo é possível perceber a queda de frames ao longo da jogabilidade:

 

Quando se trata de combate, este ponto deixa muito a desejar. A mira da maioria das armas resume-se a um único e minúsculo ponto na tela, dificultando a visualização do jogador de para onde ele está mirando. Além dos problemas de mira, também encontrei problemas inesperados com a troca de armas. Em um momento chave de uma missão fiquei sem munição e resolvi trocar de arma, apenas para o jogo entrar em um modo de “bug” em que eu não conseguia nem realizar a alteração de arma e nem atirar, com a que o jogo me deixou travada.

Abaixo, vídeos dos bugs relatados acima:

Além de tudo isso, não é possível se esconder em coberturas para se proteger dos ataques do inimigos. Os comandos de agachar e correr também não funcionam como deveriam e foram mal planejados em relação aos botões escolhidos para essas ações.

Para correr você deve pressionar continuamente o R3 e movimentar o personagem. Um pouquinho menos de pressão no analógico e XIII para de correr. Para agachar a mesma coisa, o botão deve ficar pressionado o tempo inteiro. Essas escolhas prejudicam a movimentação da personagem e consequentemente os elementos de combate

 

| Arte, Gráficos e Animação

Nessa sessão, falarei um pouco da arte, dos gráficos e também da animação, que infelizmente teve um destaque bem negativo no jogo. Em relação a arte, o jogo se destaca pela proposta de narrar a história como se fosse uma história em quadrinhos, com onomatopeias que saltam a tela para representar os sons. O jogo também apresenta um estilo gráfico em cellshading para deixá-lo mais parecido com uma HQ.

A parte que mais me deixou incomodada foram as animações, tanto em cutscenes quanto na movimentação das personagens. Inclusive encontrei um bug em que minha companheira andava parecendo que tinha sofrido um derrame, se batendo nos objetos e sempre agachada com as pernas tortas. Outro ponto bem negativo é a animação facial das personagens e lip-sync.

Minha companheira presa na cobertura em um bug muito estranho
Minha companheira presa na cobertura em um bug muito estranho

As expressões são inexistentes e plastificadas. Os inimigos quando são abatidos caem como um saco de batatas no chão. E vale dizer também que a dublagem, além de não combinar com o timing dos lábios das personagens, também é bem mal feita.

Abaixo, vídeo das animações faciais e dos personagens durante cutscenes:

 

Resumindo
  • História
  • Jogabilidade
  • Arte
  • Desempenho
1.5

Conclusão

A proposta de fazer um remake de um dos clássicos jogos de tiro em primeira pessoa foi louvável. Contudo, o que encontrei no jogo foi falta de empenho, polimento e cuidado com o jogo desenvolvido. É um verdadeiro descaso com o jogo original e um desserviço com os consumidores, que pagam caro por um jogo e encontram algo completamente mal feito em todos os aspectos.

No máximo, XIII pode ser chamado de um port ou remaster para os consoles atuais, que não tiveram nada de seu potencial aproveitado pelo título. Vale ressaltar que XIII foi avaliado em um Playstation 4 Slim com uma key de análise que foi cedida ao blog. Resumindo, não recomendo esse jogo para ninguém.

Comentários