Entrevista com os criadores de Be Hero

 

| Introdução

Be Hero é um jogo de crafting com RPG, criado pela empresa brasileira Mirabolis Studios. O lançamento ainda não tem data, mas já tem página na Steam, adicionem na lista de desejo para ajudar o jogo.

Conheça um pouco sobre o projeto no vídeo abaixo:

Essa entrevista foi realizada com o objetivo de criar oportunidade de outras pessoas conhecerem mais sobre esse jogo brasileiro, e também para ajudar quem tem como sonho ser desenvolvedor de jogos no Brasil.

Agradeço ao Tiago Jackson por responder nossas perguntas, e com isso permitir que este post fosse realizado.

 

| Entrevista

Garota no Controle: O que veio primeiro, a mecânica ou temática?

Tiago Jackson: Difícil de responder, quando a ideia foi surgindo ela englobava às duas coisas, sem que uma pudesse se dissociar da outra. Mas tenho certeza que a temática do aspirante a herói sempre esteve ali.

 

Garota no Controle: Que jogos inspiraram Be Hero? Há quanto tempo estão desenvolvendo o jogo?

Tiago Jackson: Foram muitos jogos, na verdade, mas se pudesse citar dois diria Harvest Moon e Zelda a Link to the Past, ambos do SNES. Estamos trabalhando nele há pouco menos de um ano e meio. Começamos a desenvolver a ideia do jogo aproximadamente no final de Abril de 2019.

 

Garota no Controle: Qual o diferencial do jogo Be Hero?

Tiago Jackson: Nosso jogo mistura RPG com coleta e cultivo, focando um pouco mais na história do que nas atividades. Nosso objetivo não é o “grind” em si, como é o ponto-chave de outros jogos de cultivo/coleta, mas dar ao jogador um pouco de liberdade para escolher como seguir sua história.

 

Garota no Controle: Qual o tamanho da equipe de vocês?

Tiago Jackson: Nossa equipe é de apenas duas pessoas, Tiago Jackson (programação e game design) e Leonardo Lunelli (arte). Mas contamos com ajuda externa na parte da música e som, que estão sendo feitos pelo Fernando Nicknich e Rodrigo Lengning.

 

Garota no Controle: Quais as principais dificuldades encontradas para desenvolvimento e para conseguir que o jogo fosse publicado?

Tiago Jackson: As maiores dificuldades são ter tempo ou condições financeiras para poder desenvolver o jogo e seguir o projeto na íntegra sem ficar criando dívidas impagáveis. Outra grande dificuldade é conseguir chegar no público, ter visibilidade suficiente para que seu jogo tenha o alcance necessário para pagar os custos e sobrar um pouquinho, independentemente da qualidade do produto.

 

Garota no Controle: Pretendem lançar outros jogos?

Tiago Jackson: Sim, temos várias ideias em mente, rsrs. E também temos um jogo de estratégia/gerenciamento chamado Evil Labs, que foi lançado para PC em 2017.

 

Garota no Controle: Qual foi o maior aprendizado que você gostaria de passar para outras pessoas, sobre produzir o próprio jogo?

Tiago Jackson: Uma das coisas mais legais que aprendemos foi engajar com os jogadores, descobrir seus desejos e interesses, ver eles jogando (ex.: Streams) e notar o que estão gostando ou não. É fundamental o desenvolvedor de jogos ter contato com seu público, tanto para poder divulgar o trabalho, como para descobrir como pode melhorá-lo.

 

Garota no Controle: Sobre mulheres na área de desenvolvimento de jogos, o que você tem a comentar sobre isso?

Tiago Jackson: Temos visto cada vez mais mulheres no desenvolvimento e produção de conteúdos sobre jogos. Infelizmente a participação ainda está muito longe do ideal, principalmente por algumas barreiras, como preconceito. Esperamos que as coisas mudem em breve.

 

Garota no Controle: Que mensagem você gostaria de passar para aqueles que querem desenvolver jogos no Brasil?

Tiago Jackson: Não tenha medo de tentar, vá atrás da informação de como fazer um jogo, como utilizar uma Engine, como programar ou como fazer arte. Fazer isso com dedicação e o sentimento faz o jogo sair do papel. Também tente relevar as críticas e absorver somente as construtivas, tente se lembrar que cada obra pode sair melhor que a anterior.

 

Garota no Controle: Para vocês, é possível viver de jogos no Brasil?

Tiago Jackson: Desde o lançamento do Evil Labs, meu trabalho em tempo integral é o desenvolvimento de jogos, então penso que sim, rs. Com a presença de lojas digitais é possível alcançar jogadores em qualquer lugar do mundo, independentemente de onde o desenvolvedor resida. As dificuldades ficam em não haver financiamentos ou programas governamentais (ou até mesmo privados) para
dar o suporte financeiro e de gerenciamento que é necessário durante o período de desenvolvimento. Portanto, penso ser possível, mas talvez seja mais difícil  do que em outros países.

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