Análise de YesterMorrow

| Introdução

Desenvolvido pela Bitmap Galaxy Studio em parceria com a Blowfish Studios, YesterMorrow, um platformer 2D entrega uma história que atravessa a barreira do tempo e do espaço. O jogo chega dia 5 de novembro de 2020 para Windows, Xbox One, Playstation 4 e Nintendo Switch. Aqui usamos a versão de PC.

 

| História

YesterMorrow gira em torno de Yui, uma garotinha que mora em Forest Island com sua família. O jogo começa com Yui explorando sua ilha e se preparando para o festival da luz (Light Festival).

O pai de Yui a orienta a se preparar para o festival
O pai de Yui a orienta a se preparar para o festival
O festival da luz
O festival da luz

Tudo parece pacífico, até que em meio ao festival, as sombras (Shadows) atacam, levando pessoas e destruindo tudo. Em meio a confusão, Yui é enviada para a Tower of Time na esperança de reverter a situação. Apesar de tentar alcançar seu objetivo, Yui fracassa e é resgatada pelo Guardião da ilha.

As Sombras atacam
As Sombras atacam
Yui é resgatada pelo Guardião
Yui é resgatada pelo Guardião

Após o desastre, o jogo agora muda seu foco para muitos anos no futuro, em que o jogador encontra uma Yui mais adulta, assombrada pela culpa de não ter atingido seu objetivo naquele dia, condenando o mundo a noites infindáveis. O sol já não brilha mais, a cidade foi destruída, as pessoas foram raptadas, a fauna e a flora foram corrompidas.

Nesse futuro sombrio, Yui sai a procura de seu cachorro a pedido do irmão, e é aí que ela se encontra novamente com o Guardião da ilha, que a incumbe de restaurar o que foi perdido através da viagem no tempo, o principal tema e mecânica do jogo

Uma segunda chance. Yui reencontra o Guardião no futuro
Uma segunda chance. Yui reencontra o Guardião no futuro

Podendo então viajar no tempo, Yui começa uma série de viagens ao passado para reverter a situação atual, atravessando diversos obstáculos e perigos através do tempo. Um ponto interessante de se mencionar, é que o “efeito borboleta” também está presente, que dita que por mais que tentemos alterar algo no passado, o futuro tende a se reequilibrar, trazendo até mais consequências desastrosas. Para não dar spoiler, deixarei esse ponto para que vocês, caros leitores, descubram sozinhos. De forma geral, a história é bem amarrada e oferece dois possíveis finais que o jogador pode alcançar.

 

| Jogabilidade

Por se tratar de um platformer 2D, YesterMorrow é um jogo focado em atravessar obstáculos. Para atravessá-los, o jogo introduz mecânicas novas conforme a história avança. A primeira mecânica e também a mais importante delas é a viagem no tempo, que permite com que Yui alcance lugares que foram destruídos ou bloqueados no futuro, ou então que apresenta inimigos hostis que estão ausentes no passado. Além da viagem no tempo, a protagonista conta com um arsenal de saltos simples e duplos, dashes e stomps. Além disso, um dos poderes mais interessantes e desafiadores de se dominar é o poder de congelar o tempo, que o jogador adquire mais para o final do jogo.

O título não tem foco no combate, e sim na restauração da luz. Para combater as trevas (ou sombras), o jogo fornece algumas armas, como a bomba de luz. Algumas mecânicas de travessia, como os dashes e stomps também podem ser utilizados para expulsar e destruir as sombras. Apesar de apresentar uma jogabilidade relativamente simples, os obstáculos vão se complicando cada vez mais, e tornando-se um tanto quanto desafiadores. Apesar de não ser focado no combate, YesterMorrow conta com 7 chefes que devem ser derrotados de modo a chegar ao final da história, e cada chefe apresenta um desafio à altura das habilidades de Yui.

YesterMorrow me lembrou bastante o título Celeste, em que é necessário precisão e o objetivo é superar obstáculos. Toda vez que Yui ganha uma habilidade nova, os desafios aumentam proporcionalmente a fim de que o jogador use ao máximo suas habilidades novas. A cada região do mapa, encontramos ao menos um chefe, cada um com seus próprios ataques e sequências. É necessário bastante atenção do jogador para aproveitar as oportunidades e derrotá-los. Vale ressaltar que os chefes, em sua grande maioria, são antigos guardiões das ilhas que foram corrompidos pela escuridão. Ao derrotá-los, eles são então libertados das correntes das sombras.

Como mencionado anteriormente, YesterMorrow apresenta dois finais possíveis. Para atingir um ou outro final, é necessário coletar todos os artefatos dos antigos grandmasters e timekeepers ou então não coletar todos, porém, tudo indica que se todos os artefatos não forem coletados, o final será desastroso. A fim de avaliar o jogo em seu escopo completo, optei por coletar todos os artefatos e o final obtido foi muito bom, bem amarrado e esperançoso. Uma crítica que tenho a fazer é que para coletar todos os artefatos, é necessário revisitar os mapas, porém, não há opção de viagem rápida entre as ilhas, o que pode tornar essa segunda aventura um tanto quanto entediante ou chata.

| Arte

O estilo da arte do jogo é completamente focada nos pixels. Apesar de pixelado, o jogo conta com cores vibrantes, e elementos físicos belíssimos, como o movimento dos moinhos, a física da água, o acender de luzes, até mesmo o movimento do cabelo da protagonista é perfeitamente planejado. Ao longo da história é possível encontrar florestas, desertos, terras cobertas por neve e até mesmo uma torre mecânica similar a uma torre de relógio. Cada ambiente conta com um estilo próprio tanto para o passado quanto para o futuro.

Forest Island
Forest Island
Cidade do deserto
Cidade do deserto
Terras geladas
Terras geladas

 

| Trilha Sonora

A sonoplastia de YesterMorrow é um verdadeiro espetáculo. As músicas de fundo refletem o estado em que se encontra o mundo e varia de acordo com a região e também com o tempo. No passado, as músicas são mais alegres e vivas. No futuro, as músicas mantêm a sua essência, porém remixadas de forma a passar tensão e refletir o estado sombrio do mundo. Além das músicas, vale ressaltar que os efeitos sonoros aplicados em elementos como a água, o ranger de escadas de madeira ao serem escaladas e até mesmo o som de correntes e metal são perfeitamente executados.

| Inovação

O jogo faz uma amálgama de recursos já aplicados em outros títulos, como Celeste e Zelda. É justamente essa amálgama que faz do jogo único, afinal o jogo aproveita ao máximo os elementos de plataforma, combate e travessia; além de apresentarem-se de forma muito bem polida e fluida.

 

Resumindo
  • Jogabilidade
  • História
  • Inovação
  • Trilha Sonora
  • Arte
4.9

Conclusão

YesterMorrow entrega uma belíssima história regada por uma excelente trilha sonora e arte fantástica. De forma geral o jogo cumpre o que promete e apresenta uma jogabilidade bem polida e acessível a todos os jogadores, desde o mais casual até àquele que gosta de um desafio.

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